Reconhecer não é produzir.
Escolher a opção certa entre quatro e escrever a frase inteira do zero parecem a mesma coisa quando se olha o resultado. São operações mentais diferentes, e só uma delas é falar um idioma.
A diferença entre achar a chave e fabricar a chave
No reconhecimento, o estímulo já contém a resposta e a tarefa é discriminar. Na produção, o estímulo não contém nada: você reconstrói a estrutura da memória, ordena as palavras, escolhe o tempo verbal e lembra a grafia.
Quem estuda um segundo idioma costuma entender bem mais do que consegue dizer. As ferramentas de maior alcance treinam justamente o lado que já está bom, porque reconhecimento é fácil de gamificar e barato de corrigir.
Daí vem o que a Letiva recusa fazer: mostrar a tradução antes, oferecer as palavras embaralhadas, aceitar a frase quase certa. Nenhuma dessas é uma facilitação. Cada uma troca o exercício por outro exercício.
Produzir uma vez não prova nada
Uma frase que sai certa hoje pode ser efeito de a fala ter acabado de tocar, não de memória. Só conta como aprendida a frase que volta dias depois e ainda sai de memória.
Por isso o reagendamento não é um recurso acessório: é a segunda metade da tese. Cada frase produzida entra numa escada de cinco degraus, em dias:
1 · 3 · 7 · 21 · 60
Acertar de primeira sobe um degrau. Errar desce um, e não zera: quem errou uma vez não está no mesmo lugar de quem nunca viu a frase. O intervalo cresce porque é a recuperação perto do limite do esquecimento que fixa a memória.
As três métricas, nesta ordem
Frases produzidas de memória. Frases distintas escritas inteiras, sem ver a resposta. Revelar a frase não gera acerto: o exercício entra numa fase que nunca vira tentativa gravada, então este número é honesto por construção.
Acerto de primeira. De cada dez frases apresentadas, em quantas saiu certo sem tentativa extra, sem erro de tecla e sem ouvir de novo. Ouvir de novo derruba a nota de propósito: sem essa regra, a métrica mediria transcrição.
Revisões mantidas. Revisões em que a frase voltou dias depois e foi mantida. É a única das três que não pode ser produzida numa sessão só, porque exige que o tempo passe. É a que demonstra que o método funcionou.
O que a Letiva não mede
Tempo de tela não aparece em lugar nenhum. Minuto de uso não prova aprendizado, e um produto que o exibe passa a otimizá-lo.
Sequência de dias também não é métrica principal. Ela é gatilho de hábito, e tratá-la como resultado confunde a pessoa que estudou bem três vezes na semana com a que abriu o app sete dias para não perder um número.